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O provável fim da lei de Moore sinaliza quebra de paradigmas na indústria eletrônica

April 16, 2011


Observatório da Imprensa – Código Aberto – Carlos Castilho: “- Enviado mediante la barra Google”

“O provável fim da lei de Moore sinaliza quebra de paradigmas na indústria eletrônica”
Postado por Carlos Castilho em 15/4/2011 às 13:51:55
Reproduzido aqui por Jacob (J.) Lumier

A polêmica sobre o fim de um dos mais badalados princípios marqueteiros da indústria de computadores parece indicar uma reviravolta na forma como os pesquisadores, executivos e usuários veem os desdobramentos futuros da internet e da web.

A lei de Moore previa que a cada 18 meses seria possível duplicar a capacidade de processamento dos chips de computadores sem alterar drasticamente os custos de produção e o seu tamanho físico. Durante 46 anos, a lei — que na verdade era um prognóstico — foi adotada como paradigma pelos fabricantes de computadores e microprocessadores.

Mas como os chips foram ficando cada vez menores, as previsões são de que sua capacidade tende a se estabilizar por falta de espaço físico. Hoje o chip de um computador médio chega a ter mais de 200 mil transistores de silício, e cada transistor pode ter uma espessura média de 32 nanômetros, ou 32 milionésimos de milímetro.

O debate sobre a lei de Moore indica que provavelmente estaremos entrando numa era onde os softwares (os aplicativos que rodam em dispositivos eletrônicos) ganharão um protagonismo muito maior do que o hardware (os equipamentos que operacionalizam os softwares). E isso pode assinalar uma mudança inédita na chamada economia digital.

A impossibilidade física de continuar enfiando cada vez mais transistores num mesmo chip faz com que a indústria do hardware possa bater no teto e ficar impedida de crescer enquanto não se descobre um substituto para o silício, o mineral que está no coração dos microprocessadores.

A discussão atual ora vai para o pessimismo total, quando alguns pesquisadores preveem que toda a bilionária indústria dos microprocessadores acabará enferrujada, ora para o otimismo cauteloso, como o expressado por porta-vozes da Intel e AMD, que apostam na sobrevida dos chips movidos a silício por pelo menos mais 30 anos.

O maior protagonismo do software pode ser relevante porque ele acentuaria as características econômicas e sociais da chamada economia da informação em rede, cujos parâmetros são diferentes da economia industrial, de produção em série, que orienta a confecção dos chips em mega empresas como Intel e AMD.

Isso não significa que a indústria dos processadores entrará em colapso. Ela apenas deixará de ser tão protagônica como é hoje, por conta de sua influência no marketing de novos equipamentos eletrônicos. Todo mundo sempre quer o processador mais moderno, só que estes processadores não serão tão revolucionários como são hoje, quando a inovação está mais por conta do marketing dos fabricantes do que pelos benefícios reais usufruídos pelos usuários dos novos chips de computadores existentes no mercado.

O fato de o hardware ceder boa parte do seu espaço atual para o software marca um processo de natural de transição de um modelo para outro. De um modelo baseado mais na reprodução em massa de um bem para outro onde a prestação de serviços passa a ser o mais importante. Os programas de computação permitirão expandir a utilização dos microprocessadores ao viabilizar novas aplicações respeitando os limites físicos impostos pela atual tecnologia baseada no silício.

A inovação permanente, que é um apanágio tanto das indústrias de hardware como nas de software, será complementada pela corrida em direção à personalização e customização dos programas para computadores.

Quem conseguir oferecer o produto certo, para a pessoa certa, na hora certa e pelo preço adequado conseguirá sobreviver no mercado, que será ainda mais competitivo porque o número de criadores de softwares tende a crescer na medida em que o desenvolvimento de um programa para computadores exige muitíssimo menos capital inicial do que para montar uma fábrica de processadores.

Veja o artigo na Web do Observatório da Imprensa teclando aqui

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