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Eleições e Motivação Política

August 6, 2009

Melhor do que a imagem do círculo vicioso, a mensagem do Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, às voltas com a virtude do redondo – chega-se pela direita ao mesmo lugar de onde se partiu caminhando reto em direção oposta, e vice-versa – tem préstimo para exemplificar a especialização da política, tal como explicada por Max Weber.

Embora polemizada por seu ponto de vista externo e cultural, a referir costumes senhoriais germânicos – em que pese o contexto liberal da sua prática intelectual (o “novo curso” de Guilherme II a partir de 1890, sem o anti-socialismo de Bismark) –, a compreensão por Max Weber da política institucional como racionalizada em um domínio específico, voltado para si e a reproduzir-se por si mesmo, releva do estudo sociológico das escalas da especialização no Ocidente.

Deste ponto de vista formalista ao extremo, muito distanciado da história parlamentar e seus valores coletivos democráticos, percebe-se que o “weberianismo” contempla a concepção elitista dos grupos de interesse, restrita aos blocos de localidades, tidos como os mais capazes para impor a vontade de domínio.

Quer dizer, conformado aos costumes senhoriais germânicos, Max Weber segrega como se sabe uma interpretação individualista próxima do mito romântico do indivíduo monumentalizado (Carlyle), ensejando um modelo de representação de interesses fechada ao conhecimento político como tendência à realização – afirmação da fé em um ideal com “estratégia de ação social”.

Duas posturas negativas

Em consequência, não será surpresa se algum cientista político em bom senso avançar um pouco além da imagem ideológica do chefe poderoso e reconhecer o problema do voto obrigatório como diferenciado e não redutível ao sistema de representação de interesses.

Com certeza é relevante, como se sabe, analisar a relação entre o comparecimento eleitoral e o grau de compromisso dos cidadãos com a sustentação de um regime democrático. Será que esse compromisso deve depender exclusivamente do desempenho satisfatório dos representantes?

Tal indagação de pesquisa sociológica adquire mais força quando se constata uma correlação entre duas posturas negativas seguintes: (a) a reticência em relação à PEC regulamentadora que torna expressa a proibição constitucional aos congressistas para serem donos de meios de comunicação (ver aqui), por um lado e, (b) por outro lado, a rejeição às PECs que favorecem o regime do voto facultativo para todos nas eleições (ver aqui).

Leia a continuação no Observatório da Imprensa

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