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O gothic, o romantismo e a filosofia estética: notas para uma crítica da chamada “cultura obscura”. Primeira Parte

February 10, 2008

O gothic, o romantismo e a filosofia estética:
notas para uma crítica da chamada “cultura obscura”.
Primeira Parte

O chamado gothic considerado não somente como gosto do obscuro, mas como paixão das trevas teria nascido de uma visão fantasmagórica da Idade Média atribuída aos românticos.
Quando se busca uma definição para o que seria gothic ou dark além da referência à tribo urbana que recebeu esta denominação admite-se (a) – que ser gothic ou dark relaciona-se mais a uma opção estética do que qualquer outra coisa; (b) – que este sentido estético particular apresenta características definidas principalmente no que se refere às temáticas abordadas, mas não constituiria em si nenhuma escola artística específica, absorvendo influências diversas, unindo em um mesmo caldeirão influências românticas, surrealistas, expressionistas y muchas otras más.
Os simpatizantes do chamado movimento gothic, vendo no romantismo do século XIX uma espécie de “reabilitação” da Idade Média e do seu imaginário, nos dirão que os românticos são os responsáveis pelo surgimento da “gothic novel” ou “romam noir”, normalmente ambientados em castelos sombrios e ambientes tenebrosos. Ultrapassando a noção simples de cultura obscura, dirão-nos ainda que a celebração da noite obscura como passando a ser o lugar previlegiado da celebração dionisíaca se faz no romantismo literário, tomado como exemplo a obra de Novalis ( Hinos à Noite). Haveria o resgate dos valores noturnos levando ao pessimismo, à loucura, aos sonhos, às sombras, à decomposição, à queda, à atração pelo abismo (trevas) e morte, bem como à urgência pela vida. Para os simpatizantes do gothic, portanto no “dark side” do romantismo se encontrariam praticamente todos os elementos estéticos que tanto deliciam os góticos até os dias de hoje…Além da sua origem através da gothic novel.
Não será paradoxal dizer que o gothic como atração das trevas sendo procedente do romantismo constituiria uma opção estética ?
Sem dúvida, essa abordagem do gothic como paixão das trevas, sendo cogitada pelo aspecto da filosofia da arte suscita um tema crítico, a saber: será legitimo falar de estética no romantismo tendo em conta que toda a arte afirma um horizonte, afirma a criação? O gosto das trevas pelas trevas, a atração do romantismo pelo abissal não será nihilismo? Não será uma apologia do Nihil ex-nihilo, uma filosofia do nada que se tira do nada, portanto negação absoluta da criação tornada non-sense absoluto? Dizer que o gothic como atração das trevas, sendo procedente do romantismo constituiria uma opção estética não será paradoxal?
Neste e-book haverá oportunidade para inferir sobre o artificialismo de uma abordagem artística sobre o gothic como cultura obscura. No século XX toda a abordagem artística só é válida se compreende como nos sugere Theodor W. Adorno que l’art assume sa liberté en se fermant aux classes défavorisées: cette négativité de la culture est part de sa vérité. L’industrie culturelle, par le primat du divertissement, abuse au contraire de “prévenances à l’égard des masses”, en leur fournissant l’amusement que recherche “celui qui veut échapper (dans ses loisirs) au processus du travail automatisé”. Mais elle ne lui offre pour cela que des produits qui sont la copie du travail, puisque sa production repose sur les mêmes principes que toute production industrielle: même division du travail, même standardisation, etc .
Deste ponto de vista o chamado gothic é cultura de massa, é tribo urbana, é fenômeno comportamental e não opção estética, a não ser que se prolongue artificialmente a noção do estético para incluir o comportamental, os esteriótipos e, desse modo, se venha a falar de sentido estético particular. Prolongamento este que é muito problemático tratando-se de opções ou preferências, sobretudo veleidades produzidas ou induzidas pela indústria cultural (estereótipos de contestação social) sobre os seus consumidores. Em sumo: haveria um sentido estético particular (industrial) nas veleidades tidas como contestação social identificadas aos comportamentos de certos grupos de admiradores da cultura obscura (gosto do obscuro na literatura, nas artes e, sobretudo no cinema e no Rock and Roll): os chamados gothics.

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