Skip to content

Obras e Projeto de Jacob (J.) Lumier: Abordando a Sociologia do Conhecimento I.

September 5, 2006
 

DESCRIÇÃO DA QUINTA POSTAGEM

 

 

 

Sobre a Produção Leituras do Século XX

http://www.leiturasjlumierautor.pro.br

 

– Quinta Parte

 

 Categorias: formação (em sociologia); e-book monográfico;

Bibliografia; sociedade de informação.

 

Palavras-chave:  

 sociedades globais; realidade social; sociabilidade, tempos múltiplos,

 perspectivação do conhecimento.

 

OBRAS E PROJETO DE JACOB (J.) LUMIER…

         QUINTA POSTAGEM:

Abordando a sociologia do conhecimento I.

 

 

 

VER NESTA QUINTA POSTAGEM:

· A SEQUÊNCIA INICIAL DA OBRA 02 INTITULADA:

"ASPECTOS DA SOCIOLOGIA DO CONHECIMENTO: REFLEXÃO EM TORNO ÀS ANÁLISES SOCIOLÓGICAS DE GEORGES GURVITCH.doc", 548fls, e-book, (897kb. zip),

· com bibliografia e

· índices remissivo e analítico eletrônicos.

·  incluindo os seguintes tópicos:

· RESUMO; SUMÁRIO; PREFÁCIO.

**********************************************************************

 

 

 

 

 

#####–TEXTO DA SEQUÊNCIA INICIAL DA OBRA 02

 INTITULADA

 "ASPECTOS DA SOCIOLOGIA DO CONHECIMENTO: REFLEXÃO EM TORNO ÀS ANÁLISES SOCIOLÓGICAS DE GEORGES GURVITCH.DOC",

548fls, e-book, (897kb. zip), com bibliografia e

índices remissivo e analítico eletrônicos.

 #-Estatísticas do doc.: Páginas-548, Palavras-135.635, Parágrafos-2.486, Linhas-15.446, Entre linhas– 1,5; Fonte-Arial #-Margens: Superior-3 cm, Esquerda-2,5cm, Inferior-3cm, Direita-1,9cm; Estilo-Lista numerada Com vários níveis /////

##### Resumo do ensaio: Nesta obra apreciei o pensamento de Georges GURVI-TCH, tendo em conta as posições que insistem sobre sua procedência na fenomenologia existencial. Assinalei, porém, sua ligação com a nova sociologia do conhecimento, pondo em relevo que nesta disciplina, a exemplo da Física do século XX, a explicação é não-causal e, por esta via, enfoquei o problema das correlações funcionais, tal como GURVITCH nos ensina. Minha exposição acentua o alcance empírico das análises micro e macrossociológicas, sobretudo a pesquisa incessante da variabilidade nesse autor. Acentuei igualmente o lugar de destaque que em suas análises é reservado ao estudo das manifestações da sociabilidade, em especial ao estudo sociológico dos “Nós”.

 ##### ESTA OBRA 02 ALCANÇA, DENTRE OUTRAS, AS SEGUINTES DISCIPLINAS: 1º) TEORIA SOCIOLÓGICA, 2º) SOCIOLOGIA DO CONHECIMENTO, 3º) METODOLOGIA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS, 4º) FILOSOFIA E SOCIOLOGIA, 5º) ANTROPOLOGIA E SOCIOLOGIA,

 6º) HISTÓRIA E SOCIOLOGIA


#####-INDICAÇÕES PARA FICHA CATALOGRÁFICA: Lumier, Jacob (J.). Internet, e-book, “Aspectos da Sociologia do Conhecimento: Reflexão em torno às análises Sociológicas de Georges Gurvitch.doc”, 548 fls., 2005, bibliografia e índices remissivo e analítico eletrônicos. Através de leiturasjlumierautor@leiturasjlumierautor.pro.br 1.Sociologia – Teoria Sociológica 2.Filosofia – Metodologia II. Título

 

##### – SUMÁRIO

de “Aspectos da Sociologia do Conhecimento:

Reflexão em torno às Análises Sociológicas de Georges Gurvitch .doc”

 por J.Lumier:

###-PREFÁCIO:  págs. nº11; ###-PRIMEIRA PARTE : O Debate Ou “Descobrindo o problema do Coeficiente Existencial do Conhecimento” págs. nº13 a 62 ###-SEGUNDA PARTE: As Classes do Conhecimento…págs. nº64 até 112; /// 1.O sistema cognitivo e as variações do saber: págs. nº65 a 83; /// 2.A sociologia do Conhecimento Perceptivo do Mundo Exterior : págs. nº85 a 89; /// 3.A Sociologia do Conhecimento de outro, dos Nós, dos grupos, classes, sociedades : págs. nº90 a 96; /// 4.A Sociologia do Conhecimento de senso comum ou Conhecimento da vida cotidiana: págs. nº96 a 97; /// 5.A Sociologia (a)- do Conhecimento técnico; (b)- do Conhecimento político; (c)- do conhecimento científico; (d)- do Conhecimento filosófico: págs. nº97 a 107; /// 6.A Sociologia das Formas do conhecimento: págs. nº108 a 112 . ###-TERCEIRA PARTE: Os Quadros Sociais do Conhecimento: págs. nº115 até 247; /// 1.A contribuição da Sociologia da Literatura: págs. nº116 a 129; /// 2.Dialética e Microssociologia do Conhecimento: págs. nº130 a 155; /// 3.A sociologia dos agrupamentos particulares como quadros sociais do conhecimento: págs. nº156 a 196; /// 4.A sociologia das classes e sociedades globais como quadros sociais do conhecimento:  págs. nº197 a 247; ###-QUARTA PARTE: Sociologia e Filosofia ou o Triplo Limiar Comum …..págs. nº249 até 374 /// 1.Introdução: págs. nº249 a 252; /// 2.A Multiplicidade dos Tempos sociais: págs.nº254 a 312; /// 3.O Estudo Sociológico dos Nós: págs.nº315 a 346; /// 4.A Dialética Sociológica: págs. nº348 a 374; ### – NOTAS COMPLEMENTARES :

 págs. nº376 a 504; ###-ÍNDICE ANALÍTICO: págs. nº507 até 522; ###-BIBLIOGRAFIA: págs. nº527 até 533; ###-CRONOLOGIA: DATAS DAS OBRAS E EVOLUÇÃO INTELECTUAL DE GURVITCH…..págs. nº535 até 539; ###-ÍNDICE DE AUTORES E ASSUNTOS:  págs. nº540 até 547;

Sobre o Autor: J.Lumier.

 

 

 

 

##### – PREFÁCIO de “ASPECTOS DA SOCIOLOGIA DO CONHECIMENTO: Uma Reflexão em torno às Análises Sociológicas de Georges Gurvitch.doc.”. #####

-: §§ "Neste ensaio, concluído em 2002, sustentamos que, na “Nova Sociologia do Conhecimento", desenvolvida por Georges Gurvitch, a explicação é “não-causal”, e demos ênfase às correlações funcionais, visando pôr em relevo o alcance empírico das suas análises micro e macrossociológicas, como expressões de uma incessante pesquisa da variabilidade. Levamos em conta, além de Karl Popper, Antony Giddens, Ralf Dahrendorf, as demais posições contrárias, inclusive as que atribuem a procedência da sociologia de Gurvitch na fenomenologia existencial. Todavia, nossa leitura destaca a influência de Bergson e a concepção da “consciência aberta” como estando na base da teoria gurvitcheana da multiplicidade dos tempos sociais e da distinção das classes do conhecimento, cujas descrições são aqui apresentadas em vista da sociologia do conhecimento filosófico. Nessa mesma abordagem, expusemos sobre o estudo sociológico dos Nós e das manifestações da sociabilidade, com dados sobre a Massa, a Comunidade e a Comunhão, como quadros sociais. Quanto às orientações do realismo sociológico relativista em Gurvitch, pelo qual esse autor promoveu as Ciências Sociais e Humanas, além de levarmos em conta as contribuições da sociologia da literatura, (a) – cumprimos a rigorosa distinção gurvitcheana dos enunciados da dialética e das fórmulas da explicação em sociologia; (b)-acompanhamos a sugestão de Henri Lefébvre em favor do aspecto tridimensional na sociologia de Gurvitch e enfocamos as três escalas da dialética sociológica -microssocial, parcial ou grupal, global- expondo sobre seus procedimentos diferenciados, descritos por Gurvitch em vista de acentuar-lhes o alcance purificador na metodologia, sobretudo em face de qualquer preconceito filosófico inconsciente limitando o acesso ao objeto da sociologia do conhecimento. No marco dessa orientação do pensamento probabilitário para a desdogmatização do saber, destacamos ademais da influência da teoria física do século XX o aproveitamento dos materiais empíricos etnológicos aportados por Marcel Mauss e a utilização dos resultados propriamente sociológicos de Karl Marx para a compreensão da obra de Gurvitch.

O Autor: J.Lumier

 

 

 

 

 

 

 

 

##### – A seguir, o texto da Seqüência Inicial da obra 02 intitulada

 "Aspectos da Sociologia do Conhecimento: Reflexão em torno às Análises Sociológicas de Georges Gurvitch.doc":

·                    reproduzido aqui exclusivamente para os fins de (a) – uma apreciação da profundidade no tratamento da matéria; (b) – um contato prévio com o texto do autor J.LUMIER e (c) – para os fins de delimitação de trechos indexados.

##### – TEXTO EXTRAÍDO DA PRIMEIRA PARTE: #####

1) Primeira Parte: O Debate ou

“Descobrindo o problema do Coeficiente Existencial do Conhecimento”.

A sociologia do conhecimento é uma disciplina diferencial que, no século XX, passou e provavelmente atravessa ainda um dilema de “ser ou não ser”. Por um lado é admitida como disciplina específica só para ter negado sua relevância pedagógica como conhecimento científico em face de um experimentalismo quantitativo cultivado nos meios epistemológicos enquanto que, por outro lado, fica inibida e subordinada nas análises sistemáticas das novas classes médias, em que a educação, o interesse e o valor do conhecimento, sobretudo o conhecimento técnico e o conhecimento político, são colocados em planos elevados pelos sociólogos. Com efeito, se o primeiro aspecto desse dilema nos coloca na discussão metodológica e nos chama ao estudo dos procedimentos da explicação em sociologia, no segundo aspecto há algo paradoxal bem marcado se considerarmos que, como é sabido, foi justamente a valorização da educação e do conhecimento, requeridos pelos públicos políticos em ascensão nos anos vinte, que motivou a Karl MANNHEIM para promover a sociologia do conhecimento. Quer dizer, seria de esperar, de maneira análoga, que a maior importância do conhecimento e da educação para a estrutura das nossas sociedades em regime de capitalismo organizado, sobretudo a partir dos anos 60, servisse de estímulo aos sociólogos para fazer avançar a sociologia do conhecimento como disciplina especial. Mas não é isso que se vê, e sim a imbricação dispersa dessa disciplina nas inúmeras análises sistemáticas das novas classes médias como quadros sociais (basta consultar a bibliografia oferecida por Norman BIRNBAUM em seu livro “A Crise da Sociedade Industrial”). Nada obstante, podemos notar logo de início que a dispersão e a subordinação da sociologia do conhecimento também pode e deve ser atribuída, mais de perto, a pouca sensibilidade metodológica para estudar as manifestações da sociabilidade que, infelizmente, parece pesar para tornar datadas e conjunturalmente limitadas a períodos particulares do século XX, essas refinadas análises estruturais históricas – a despeito de sua orientação para a abertura das perspectivas de vida social renovada num contexto tipo “ cultura de massas”. Assim, no texto sociológico muito rico e complexo de um importante sociólogo do século XX, como o é o citado BIRNBAUM – quem rejeita a armadilha de separar a análise estrutural da análise histórica, nos deixando ver a causalidade singular em obra sem esconder a eficácia dos planos dos símbolos sociais, dos modelos sociais e dos valores coletivos – podemos observar, todavia, o estado intocado em que curiosamente resta a objetivação da cultura, limitada ao estatuto de uma referência crítico histórica e carente de conteúdo sociológico, carente da dialética relativista que é própria à sociologia e que BIRNBAUM maneja com maestria na análise da estrutura de classes. Desse modo, a referência das formas da sociabilidade fica embargada (1) – lá onde lemos “… relações individuais com a natureza e a sociedade” [6: p.126], nas quais o mencionado autor esperava ver, antes da condição humano-social o que ele chama “concretização da cultura”, mas que, evidentemente, não visualiza; (2) – na própria objetivação da cultura, como produto cultural, impondo mais do que um hiatus, “…um abismo entre os homens e os significados” (ib.ibidem.), já que se deixa aí passar inteiramente desapercebido que o reconhecimento da autonomia do significado em relação ao significante, como fato social- isto é, num contexto de dependência de um grupo, de uma classe ou de uma sociedade global – configura a criação de relações com o próprio significado autônomo, as relações com os outros grupos; configura a manifestação levando a uma interpretação, a uma funcionalidade ou a uma atitude revelando a afirmação de um Nós – não só como consciência dos obstáculos mas como conhecimento dos determinismos sociais ou, como nos diz Georges LUKACS “…o cidadão normal vê sua profissão como se fosse uma ruela de uma imensa engrenagem” [52: p.53]. 12.0…2.a. Quer dizer, se o mundo como significado foi transposto “a uma distância muito vaga” das vidas das pessoas, ocorre apenas uma falsa aparência, já que a criação coletiva se afirma no reconhecimento dessa autonomia do significado como tomada de consciência dos determinismos sociais, malgrado o suposto mal estar que a aparente falta de significado no trabalho pudera impressionar. Certamente que nesses determinismos sociais, nessas engrenagens, não excluímos aqui os traços do capitalismo organizado e dirigista, tais como a sujeição dos homens e dos grupos às máquinas, a destruição das estruturas sociais e das obras de civilização por técnicas cada vez mais independentes, a negação dos direitos dos cidadãos de todas as categorias (produtores e consumidores) de governar-se a si mesmos e de controlar todo poder que se os imponha. Tanto mais que a era da automatização e das máquinas eletrônicas dá primazia lógica ao conhecimento técnico, em um grau tal que, como sublinha Georges GURVITCH, “todas as outras manifestações do saber são influídas ao ponto de tecnificar-se tanto quanto possível” [30: p.230 sg]. As próprias ciências humanas são comprometidas gravemente com as gigantescas organizações de sondagens da opinião pública, de estudos de mercado, etc. as quais apenas se limitam à mecanização e à tecnificação das "relações humanas” e dos problemas reais que suscitam a vida mental e a vida social atuais, com o objetivo de subordiná-los aos esquemas prefixados, muito ao gosto dos defensores da" lógica simbólica”, que tecnificam a filosofia (1). Seja como for, a sociologia do conhecimento pode nos ensinar a revalorizar as formas ou manifestações da sociabilidade, os Nós (os diferentes Nós) e as relações com outrem que nesses diferentes Nós se diferenciam, viabilizando a participação nos agrupamentos humanos ou sociais particulares. Os diferentes Nós, os grupos, as classes sociais, as sociedades globais e suas estruturas são temas coletivos reais, de tal forma que podemos falar do conhecimento dos outros, do conhecimento dos Nós, dos grupos, das classes e das sociedades globais como se fala de uma classe específica de conhecimento na realidade social, sem dúvida um conhecimento muito colado aos papéis sociais e às expectativas de papéis. Mas isso já é avançar muito nesse parágrafo o conteúdo deste ensaio. Tudo o que por ora nos interessa é apenas estabelecer a proposição de que a sociologia do conhecimento pode nos ensinar a revalorizar a sociabilidade humana. Proposição essa tanto mais importante quanto autores do alto porte de um Karl POPPER, atribuindo-lhe equivocadamente um estatuto de disciplina exclusivamente causal, nos dizem que nada ou muito pouco a sociologia do conhecimento teria para ensinar. No seu dizer: …“ podemos aprender acerca da heurística e da metodologia e até a respeito da psicologia da pesquisa, estudando teorias apresentadas pró e contra elas, mais do que por qualquer abordagem direta behaviorista ou psicológica ou sociológica”. [68 p. 116]. Quer dizer que, além da pouca sensibilidade metodológica como obstáculo à sociologia do conhecimento, agora encontramos também uma atitude nitidamente depreciativa da relevância pedagógica da sociologia do conhecimento, como disciplina científica. Atitude essa que, entretanto, não fica restrita às afirmações dos epistemólogos, mas tem seguidores entre os sociólogos. Tanto que Antony GIDDENS depreciará o histórico da pesquisa especificamente sociológica do coeficiente existencial do conhecimento, dizendo-nos que considera como “erro clássico da sociologia do conhecimento – que ele gratuitamente qualifica de “… velha” – a sugestão de que a “ validade das teorias científicas pode ser reduzida aos interesses que desempenharam um papel na sua geração” , embora esse prolixo autor admita que “ esse ponto necessita de uma ênfase” [28: p.151]. Quanto a nós, podemos ver por trás dessas referências depreciativas da sociologia do conhecimento não apenas uma imagem metodológica restrita da nossa disciplina, tida equivocadamente como exclusivamente causal (cf. POPPER, ib. ibidem), mas também outra imagem mais ideológica que, de toda evidência, tem a ver com uma redução imprópria da sociologia do conhecimento à obra de Karl MANNHEIM e às disputas na London School of Economics, da tal sorte que não será de estranhar se a rejeição a essa disciplina tiver também as cores do conhecido anti-hegelianismo popperiano. Basta lembrar que, quando POPPER chegou a Londres, em 1935, permanecendo nove meses na Inglaterra para depois, por indicação do então diretor da “ London School of Economics”, chegar à Nova Zelândia em Março de 37, onde virá a escrever “ A Sociedade Aberta e Seus Inimigos”, nutrida de anti-hegelianismo, Karl MANNHEIM, que faleceu em Londres em 1947, já se havia transferido para essa cidade desde 1933, tendo lecionado na mesma “ School” e lá editado, em 1936, seu livro “ Ideologia e Utopia” , inspirado no neo-hegelianismo, cuja edição original em alemão data de 1929 [cf.56]. Com efeito, em relação ao posicionamento de MANNHEIM nessa obra considerada muito influente nos Estados Unidos [ 39: p.161] ,cabe notar que, embora não apresente uma análise da teodicéia já tratada no âmbito da sociologia por Max WEBER, (ver nota respectiva) comporta um enfoque neoespiritualista inteiramente baseado na concepção hegeliana conservadorista, tomando o saber como instrumento de adaptação do espírito às situações existentes ao longo da história. O próprio MANNHEIM afirma nessa mesma obra que a suposta “ relação dialética” em que “ a ordem existente dá surgimento a utopias que, por sua vez, rompem com os laços da própria ordem existente, deixando-a livre para evoluir em direção à ordem de existência seguinte”, é uma formulação que “ já foi bem enunciada pelo hegeliano DROYSEN”, cujas definições MANNHEIM reproduz e subscreve, destacando a sentença de que “ toda evolução no mundo histórico se processa da seguinte forma: o pensamento, que é a contrapartida ideal das coisas como estas existem na realidade, se desenvolve como as coisas deveriam ser …”; na medida em que esses pensamentos “ possam elevar as condições ao nível deles próprios, alargando-se depois e se enrijecendo de acordo com o costume, com o conservadorismo e a obstinação, uma nova crítica se faz necessária, e assim por diante [56: p.223]. Porém MANNHEIM vai mais longe no seu neo-hegelianismo e, reforçando a concepção conservadorista do saber, consente que “ o critério razoavelmente adequado para a distinção entre o utópico e o ideológico é sua realização: idéias que posteriormente se mostraram como tendo sido apenas representações distorcidas de uma ordem social passada ou potencial eram ideológicas, enquanto as que foram adequadamente realizadas na ordem social posterior eram utopias relativas”. MANNHEIM entende que “ as realidades atualizadas do passado põem um termo ao conflito de meras opiniões…” sobre o que era utópico e o que era ideológico (ib.p.228). Então, o problema crítico cultural do espiritualismo ou da teodicéia, examinado por Ernst CASSIRER em "O Mito do Estado” [9] sobre a transposição do hegelianismo ou do conservadorismo hegeliano em ideologia revolucionária, torna-se em MANNHEIM no problema do “ princípio vital que vincula o desenvolvimento da utopia com o desenvolvimento de uma ordem existente” [56:p.222], de tal sorte que o conservadorismo hegeliano, em sua concepção do saber como instrumento de adaptação, resta consagrado como paradigma de análise sociológica, sem tornar-se preliminarmente objeto de crítica alguma na obra desse polêmico autor. Sem dúvida, a ascendência neoespiritualista dos esquemas de MANNHEIM desdobram-se de sua representação de um “ estrato desamarrado, relativamente sem classe” , por ele chamado “ intelligentsia” socialmente desvinculada, à qual atribui o “ papel de vigias” correspondente à “ síntese ou à mediação viva” pela criação de um “ foro alheio às escolas de partido político, em vista de salvaguardar a perspectiva do todo e o interesse pelo todo” (Cf. ib. pp.178 a 189), para o qual esse autor projeta o ensino de uma “ ciência política”, sem diferenciar em momento algum sua concepção desse grupo privilegiado de “vigias”, em face da tecnoburocracia como grupo urbano. Enfim, MANNHEIM confirma ainda seu neo-hegelianismo sustentando que a representação desse estrato como "mediação viva” resulta de uma linha de desenvolvimento que vem do romantismo passando pela" visão conservadora”, a qual estaria mais de acordo com as necessidades da época (cf.ib.p.186). Desta forma, MANNHEIM substituirá a questão crítica sobre o espiritualismo de Hegel – assim deslocada e idealizada na convocação à tomada de consciência dos intelectuais, como um estrato "desvinculado" e em flagrante confronto com a realidade histórica. Por contra, do ponto de vista da realidade, observa-se o fenômeno da radicalização dos intelectuais no século XX, favorecendo uma atitude anticapitalista. Como nota Michel LOWY [51: pp.230 sq] "a evolução política dos intelectuais – no sentido estrito de criadores de produtos ideológico-culturais – se insere em um marco mais vasto de radicalização da capa dos trabalhadores intelectuais em geral, nos países capitalistas avançados e no terceiro mundo. A causa ( singular) principal desse fenômeno é a proletarização dessa capa”. Trata-se de um fenômeno já observado desde o início dos anos 30 por Antônio GRAMSCI [26: p.12; apud. LOWY, ib.] e que se torna patente depois da segunda guerra mundial, quando se produz o “salto qualitativo” no desenvolvimento do capitalismo. Quer dizer, quando a “ extensão massiva do capital ao setor chamado terciário e as transformações ligadas à terceira revolução industrial (automatização, informática) produziram uma industrialização generalizada de todos os setores da atividade humana……. ##fim da sequência inicial da obra 02 "Aspectos da Sociologia do Conhecimento: reflexão em torno às análises sociológicas de

Georges Gurvitch.doc"..       

Advertisements

From → Sem categoria

Leave a Comment

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: